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01/02/2014

LIÇÃO 05 – A TRAVESSIA DO MAR VERMELHO - 1º TRIMESTRE 2014


INTRODUÇÃO

Dentre os muitos milagres registrados nas páginas da Bíblia, a travessia do Mar Vermelho pelo povo de Israel ocupa um lugar de destaque, e é mencionado, tanto no Antigo como no Novo Testamento (Êx 14.15-31; 15.4; Sl 136.13-15; I Co 10.10.1; Hb 11.29). Nesta lição, veremos como se deu a saída dos filhos de Israel do Egito; como Deus guiou o povo pelo caminho; e como ocorreu a passagem pelo meio do mar.

I – A SAÍDA DOS FILHOS DE ISRAEL DO EGITO
 
Depois de quatrocentos e trinta anos de permanência no Egito (Êx 12.40,41), finalmente, chegou o dia da libertação, como veremos a seguir:

Faraó autorizou os hebreus saírem do Egito (Êx 12.31,32). Depois que o Egito foi afligido pelas dez pragas (Êx 7.19-12.30), o coração de Faraó foi quebrantado. Então, ele permitiu que os hebreus saíssem do Egito, sem lhes impor nenhuma condição; pelo contrário, pediu a bênção do Senhor para ele também (Êx 12.32b). Outrora, ele havia dito que oshebreus adorassem no Egito mesmo (Êx 8.25); que eles fossem somente até uma certa distância (Êx 8.28); que os filhos de Israel deixassem seus filhos no Egito (Êx 10.11); e que eles não levassem seus animais (Êx 10.24). Mas, depois da
morte dos primogênitos, disse Faraó: “Levantai-vos, saí do meio do meu povo... Levai também convosco vossas ovelhas e vossas vacas” (Êx 12.31,32). Na verdade, os egípcios temiam que todos eles fossem mortos também (Êx 12.33).
Os hebreus despojaram o Egito (Êx 12.35,36). Depois de longos anos de trabalho forçado, e sem remuneração, Deus fez com que os hebreus fossem recompensados, como Ele havia prometido (Gn 15.14; Êx 3.21; 11.1,2). Quando eles estavam prestes a sair do Egito, pediram vestes, vasos de prata e vasos de ouro àqueles que lhes haviam escravizado.
 
Como os egípcios não tinham mais interesse que os hebreus permanecessem em suas terras, eles estavam dispostos a dar qualquer coisa, contanto que os os filhos de Israel saíssem apressadamente. Assim, eles entregaram seus bens, e Israel despojou o Egito (Êx 12.35,36). Os hebreus não só foram recompensados pelo seu árduo trabalho, mas, também, puderam ofertar voluntariamente para a construção do Tabernáculo, posteriormente (Êx 25.1-9).

Os israelitas não saíram sozinhos (Êx 12.37,38). Nesta ocasião, saíram do Egito cerca de 600 mil homens. Moisés especificou “Somente de homens, sem contar mulheres e crianças” (Êx 12.37). De acordo com (Nm 1.45,46) este número refere-se apenas aos homens de guerra, em idade de serviço militar. “Se levarmos em conta as mulheres, as crianças e o misto de gente (v. 38), ou seja, os que não eram descendentes de Abraão, então, havia uma multidão de pelo menos três milhões de pessoas” (CHAMPLIN 2001, p. 353). Essa “mistura de gente”, possivelmente eram escravos oriundos de outras nações, que aproveitaram a ocasião para escapar da opressão egípcia. Eles serviram de pedra de tropeço para os hebreus, e os incitaram a murmurar no deserto, quando não havia carne para comer (Nm 11.4-6).
 
II – DEUS GUIOU O POVO PELO CAMINHO
 
O livro do Êxodo registra não apenas a saída dos filhos de Israel do Egito, mas, também, o modo pelo qual Deus guiou o seu povo no caminho. Vejamos:

Deus guiou o povo pelo caminho mais distante (Êx 13.17). Como a rota mais curta atravessava o território dos filisteus, e era uma estrada militar utilizada pelos egípcios, Deus, em sua eterna sabedoria, guiou os hebreus por um caminho mais longo, porém mais seguro, para evitar que eles se deparassem com as guerras e quisessem voltar ao Egito.
Além de garantir-lhes segurança, o Senhor queria guiá-los até o Sinai, como Ele havia prometido a Moisés que ele O serviria naquele monte (Êx 3.12). Esta ação divina nos ensina que nem sempre o caminho mais curto é o melhor para nós; e, que os caminhos e pensamentos de Deus, nem sempre são os nossos (Is 55.8,9).
 
Moisés levou consigo os ossos de José (Êx 13.19). Antes de sua morte, José havia solicitado aos filhos de Israel que, quando Deus os visitasse, eles levassem os seus ossos do Egito para Canaã (Gn 50.25). E, centenas de anos depois, Moisés não se esqueceu de honrar essa petição do patriarca (Êx 13.19; Hb 11.22). Quando o povo herdou a terra de Canaã, os ossos de José foram enterrados em Siquém (Js 24.32). Simbolicamente, este evento representa a ressurreição dos justos, pois, nem mesmo os ossos dos salvos ficarão neste mundo. Quando o Senhor Jesus vier buscar a Sua Igreja, os corpos dos justos ressuscitarão e subirão, juntamente com os crentes arrebatados, para o encontro do Senhor nos ares, quando estaremos, para sempre, com o Senhor (I Co 15.51-54; I Ts 4.13,14).

O Senhor guiou o povo numa coluna de nuvem e de fogo (Êx 13.21,22). Para chegar em Canaã, o povo hebreu não necessitava apenas de direção, mas, também de proteção. Por isso, o Senhor guiou o povo, de dia numa coluna de nuvem, pra protegê-los do sol causticante; e, de noite, numa coluna de fogo, para aquecê-los. Sem elas, o povo não teria suportado o calor do deserto durante o dia e nem o frio à noite. Quando a nuvem parava, o povo acampava; e, quando ela se levantava e se movia, o povo caminhava (Êx 40.36-38; Nm 9.19-22). Essas colunas de nuvem e de fogo representam a presença de Deus no meio do povo (Dt 1.32,33), bem como a ação do Espírito Santo na vida do crente (Jo 16.13; Rm 8.14).

III – A PASSAGEM PELO MEIO DO MAR
 
Depois de saírem libertos do Egito, o povo de Israel caminhava com destino a terra prometida. Mas, o Senhor endureceu o coração de Faraó para que ele perseguisse os hebreus, com seus cavalos e cavaleiros (Êx 14.8). Então, os filhos de Israel se viram encurralados pelas montanhas, pelo mar e pelo exército do Egito. Mas, o que parecia o fim de uma história de libertação, tornou-se, na verdade, um dos milagres mais notórios da Bíblia (Êx 14.4; 14-18; ).

O Mar Vermelho. 

A tradução “Mar Vermelho” vem do grego: “erythra thalassa”, pois, o termo hebraico é “yam sup”, que quer dizer “mar de juncos”. “Hoje em dia, o Mar Vermelho tem cerca de dois mil quilômetros de extensão (incluindo, ao norte, os golfos de Aqaba e o canal de Suez). Sua largura varia entre 200 e 250 quilômetros. Sua profundidade média é de quase 500 metros, sendo que a mínima é de 180 metros e a máxima e de 2.500 metros. Além disso, o nome 'mar de Juncos' ou 'bambuzal' pressupõe água doce, e não salgada, a fim de que os juncos cresçam” (HAMILTOM, 2007, p. 196).

A travessia do mar.

• Faraó arrependeu-se de haver deixado o povo sair do Egito (Êx 14.5);
• O rei do Egito perseguiu os hebreus com seiscentos carros (Êx 14.6,7);
• Quando os filhos de Israel viram os egípcios, temeram muito e clamaram ao Senhor (Êx 14.10);
• Moisés exortou o povo a confiar no Senhor: “O Senhor pelejará por vós, e vos calareis” (Êx 14.13,14);
• O Senhor ordenou que os filhos de Israel não parassem: “Dize aos filhos de Israel que marchem” (Êx 14.15);
• Deus ordenou que Moisés levantasse a sua vara e estendesse sobre o mar (Êx 14.16);
• O anjo de Deus que ia na frente do povo de Israel passou para a retaguarda (Êx 14.19);
• A coluna de nuvem iluminava o caminho para os hebreus e escurecia para os egípcios (Êx 14.20);
• Moisés estendeu sua mão sobre o mar para que as águas fossem partidas (Êx 14.21);
• Os filhos de Israel entraram pelo meio do mar e as águas eram como muro à sua direita e à esquerda (Êx 14.22);
• O Senhor tirou as rodas dos carros dos egípcios, fazendo-os caminhar dificultosamente (Êx 14.24);
• Os egípcios reconheceram que o Senhor pelejava pelo seu povo (Êx 14.25);
• Deus ordenou que Moisés estendesse a sua mão sobre o mar para que as águas afogassem os egípcios (Êx 14.26);
• O Senhor derrubou o exército egípcio no meio do mar e eles morreram afogados (Êx 14.27,28);
• Israel creu no Senhor e em Moisés (Êx 14.30,31).

Moisés e o povo de Israel cantaram ao Senhor (Êx 15.1-22). Diante de tão grande livramento, ninguém poderia ficar calado. O cântico de Moisés é um hino de louvor e ações de graças a Deus por Sua majestade (Êx 15.1,2,11), por Seu poderio nas batalhas (Êx 15.3-12) e por Sua fidelidade ao seu povo (Êx 15.13-17). A primeira parte do cântico trata da vitória sobre os egípcios (Êx 15.1-12); e, a segunda, profetiza a conquista de Canaã (Êx 15.13-18). A Bíblia está repleta de cânticos de vitória, como o cântico de Ana (I Sm 2.1-11); de Débora (Jz 5.1-31); de Paulo (Rm 8.31-39); além de outros. Mas, o cântico de Moisés será cantado também no futuro pelos redimidos no céu (Ap 15.3,4).
 
CONCLUSÃO
 
A travessia do Mar Vermelho é um dos milagres mais extraordinários da Bíblia. Embora os céticos duvidem da autenticidade do milagre, explicando a passagem dos hebreus pelo meio do mar como um fenômeno natural, a Bíblia revela claramente que se trata de um fato real e sobrenatural. O caminho que o Senhor abriu no meio do mar serviu não só para a passagem dos filhos de Israel, mas, também, de armadilha para o exército egípcio. Deus permitiu que eles entrassem pelo meio do mar, mas não deixou que eles chegassem do outro lado, exercendo juízo sobre todos os males que
os egípcios haviam causado ao povo hebreu. Assim, o Senhor salvou a Israel e puniu os egípcios.
 


REFERÊNCIAS
 
• ADEYEMO, Tokunboh. Comentário Bíblico Africano. MUNDO CRISTÃO.
• ALMEIDA, João Ferreira de. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. CPAD.
• ANDRADE, Claudionor Correia de. Geografia Bíblica. CPAD.
• CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
• HAMILTON, Victor P. Manual do Pentateuco. CPAD.
• STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

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