...

19/12/2012

LIÇÃO 12 – ZACARIAS – O REINO MESSIÂNICO



INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos o livro do profeta Zacarias, que trata basicamente de dois temas principais, a saber: a conclusão do Templo e as Promessas Messiânicas. O Templo que outrora fora destruído por Nabucodonosor, deveria ser reconstruído, mas o povo estava negligenciando tal reconstrução, o que implicou em diversos castigos divinos. A ira do Senhor, porém, haveria de durar só um momento e a libertação de Israel do domínio estrangeiro e a implantação do Reino Messiânico se tornaria uma realidade.

I – INFORMAÇÕES SOBRE O PROFETA ZACARIAS
Zacarias foi um sacerdote que voltou para Israel com seu pai e seu avô no primeiro retorno da Babilônia com Zorobabel. É possível constatar isso, observando a contagem sacerdotal registrada no livro de Neemias (Ne 12.4,16). Alguns supõem que o seu pai tenha morrido antes do retorno e que ele tivesse sido criado pelo avô. Possivelmente Jesus se referiu ao profeta Zacarias (Mt 23.35).
Dentre os profetas menores, Zacarias é o único que é apontado também como sacerdote. Dentre os profetas maiores, Jeremias e Ezequiel também exerciam ambos ministérios.

Nome. O nome Zacarias, Zekar-Yah, no hebraico, significa “O Senhor se lembrou”. Os nomes de seu pai e de seu avô têm significados interessantes (Zc 1.1). Ido significa “tempo designado”, e Berequias significa “o Senhor abençoa”. Segundo Ellisen (2012, p.389) “até os nomes sugerem a mensagem do livro: O Senhor não esquecerá suas promessas da aliança para abençoar Israel no tempo designado”.

Livro. O livro de Zacarias é o mais longo dos Doze Profetas Menores. Ele pode ser dividido em duas partes: a primeira parte (Zc 1-8), começa com uma exortação aos judeus para que voltem ao Senhor e assim também Deus se voltaria a eles (1.1-6). Enquanto encorajava o povo a terminar a reedificação do Templo, o profeta Zacarias recebeu uma série de oito visões (1.7-6.8), garantindo que Deus cuida de seu povo, sendo o Senhor de sua história. As cinco primeiras visões transmitiam esperança e consolação, mas as últimas três apontavam para um juízo. A quarta visão e a cena da coroação de Josué são profecias messiânicas. Já a segunda parte do livro de Zacarias (Zc 9-14), contém dois blocos de profecias apocalípticas. Cada um deles é introduzido pela expressão “Peso da Palavra do Senhor” (9.1; 12.1). O primeiro peso (9.1-11.17) inclui a promessa de salvação messiânica para Israel, mas que o Pastor-Messias seria primeiramente rejeitado e ferido (Zc 11.4-17 cf. 13.7). O “peso” (12.1-14.21) focaliza a restauração e conversão de Israel (12.10).
Naquele dia, uma fonte será aberta à Casa de Davi para a purificação do pecado (13.1); então Israel dirá: “O Senhor é o meu Deus” (13.9). E o Messias reinará em Jerusalém (14).

Período em que profetizou. O profeta Zacarias exerceu o seu ministério entre os anos 520 e 480 a.C. Agora é importante observar que três seções deste livro têm data exata, mas os últimos seis capítulos não têm. Podemos situar (Zc 1.1-6) no ano 520 a.C., pois tal relato se dá pouco mais de um mês após a segunda profecia de Ageu (Ag 2.1). Podemos situar (Zc 1.7-6.15) no ano 519: “Aos vinte e quatro dias do mês undécimo (que é o mês de sebate), no ano segundo de Dario...” (Zc 1.7). E ainda podemos situar Zc 7 e 8 no ano 518 a.C. Já os capítulos 9 ao 14, devem descrever o período de mais ou menos 480 a.C, talvez pelo fato da Grécia começar a se tornar a grande potência mundial.

Contemporâneos. Zacarias era um contemporâneo do profeta Ageu. Certamente Zacarias era mais jovem. No livro de Esdras está escrito que ambos animaram os judeus, em Judá e Jerusalém, a persistirem na reedificação do Templo nos dias de Zorobabel (Ed 5.1).
Como resultado do ministério de Zacarias e Ageu, o Templo foi completado e dedicado por volta do ano 515 a.C.

II – A SITUAÇÃO DE JUDÁ NA ÉPOCA DE ZACARIAS
Zacarias que começou a profetizar por volta do ano 520 a.C. como os demais judeus, aguardava ansiosamente pela libertação da nação do domínio estrangeiro, e com confiança esperava que um povo renovado fosse governado por um descendente da casa de Davi. O Templo estava sendo reconstruído e os persas não impuseram maiores dificuldades. A verdade é que eles começaram a apoiar um novo governo teocrático que estava surgindo àquela época.

Situação política. Após os 70 anos de cativeiro na Babilônia, os judeus retornaram, sob a nova política persa que encorajava a volta dos cativos, e lhes foi proporcionada uma nova situação de vida, um distrito na província daquém do rio Eufrates (Ed 1 1-5). Esse tratamento por parte de Ciro pode ter resultado da influência do profeta Daniel. A oposição à reconstrução do Templo veio dos vizinhos samaritanos que tentaram integrar-se com os judeus e misturar as religiões. Essa oposição teve como resultado perseguições, e a construção ficou suspensa durante 14 anos (Ed 4.1-24; 6.1-12).

Situação espiritual. Em 537 a.C., começou uma grande era para os judeus com a volta do cativeiro e o reinício das ofertas da aliança em Jerusalém. Mas a pausa na reconstrução esfriou o entusiasmo de todos, e eles se voltaram para interesses seculares. Todavia, essas atividades não se mostraram lucrativas, o que pode ter sido um castigo por não terem dado a atenção devida à fundação do novo Templo (Ed 3.12; Ag 1; 2.3). Tal realidade nos mostra que a entrega dos dízimos e das ofertas pode ser considerada uma espécie de termômetro espiritual, pois o povo não estava bem diante de Deus e, por isso, cerrou a sua mão para com o Templo. Depois de 14 anos de negligência para com o Templo, o Senhor lhes mandou seca e má colheita a fim de alertar o povo, e Zacarias foi um dos profetas que apontaram para a causa de todos aqueles males (Zc 1.1-6; 7).

III – CARACTERÍSTICAS DO LIVRO DE ZACARIAS

• É o livro mais messiânico dos Profetas Menores, e está no mesmo nível de Salmos e Isaías quanto ao conteúdo messiânico;
• Ele possui as profecias mais específicas e compreensíveis a respeito dos eventos que marcarão o final dos tempos;
• O livro representa a harmonização mais bem sucedida entre os ofícios sacerdotais e proféticos em toda a história de Israel;
• Suas visões e linguagem altamente simbólicas assemelham-se aos livros apocalípticos de Daniel e Apocalipse;
• O livro revela um exemplo notável de ironia divina ao prever a traição do Messias por trinta moedas de prata (Zc 11.13);
• A profecia a respeito do Messias no capítulo 14, como o grande Rei e Guerreiro, reinando sobre Jerusalém, é uma das que mais inspiram reverente temor em todo o Antigo Testamento.

IV – ALGUMAS OUTRAS CONTRIBUIÇÕES DO LIVRO DE ZACARIAS
No avanço esmagador dos impérios poderosos da Palestina nos tempos dos gentios, os poucos sobreviventes de Israel seriam atingidos pela voragem das lutas internacionais e desafios religiosos. Mas seu rei, o Messias, viria, primeiro em humildade e rejeição, e mais tarde com grande poder, a fim de trazer salvação espiritual e expressão internacional a seu povo, em cumprimento de suas alianças.

Um livro apocalíptico. Do mesmo modo que o Novo Testamento termina com uma grande visão apocalíptica, o Antigo Testamento também termina com essa visão, no livro de Zacarias. Ambos os livros resumem e esclarecem profecias já apresentadas em termos de realização. Em Zacarias, as duas vindas do Messias são encaixadas com a intenção de apresentar uma vasta pré-estreia do futuro de Israel. Há um forte paralelo entre o livro do profeta Zacarias e o Apocalipse (Zc 9.9,10; Ap 12.6; 13.5; 14.14). Neste livro, observamos relatos acerca da Grande Tribulação, da Batalha do Armagedom, da segunda fase da Segunda Vinda de Cristo e do Reino Milenial (Zc 12-14).

Um livro de “mistérios”. Muitos intérpretes, tanto judeus como cristãos, consideram esse livro muito obscuro e de difícil explicação. Mas a profecia não foi escrita para mistificar, e sim para esclarecer as verdades referentes ao futuro de Israel. Quando as verdades centrais das visões são observadas, e todas as visões são relacionadas a profecias anteriores, o motivo messiânico torna-se central durante as lutas e a marcha dos acontecimentos de Israel. Essa profecia forneceu alguns esclarecimentos muito importantes para Israel sobre sua redenção e o futuro nacional, quando o povo entrou em uma outra fase dos tempos dos gentios, com seus anseios ainda não cumpridos a respeito da vinda do Messias (Zc 8.7,8; 9.9,10; 11.9,13; 12.10). O resumo das visões é o seguinte: visão do cavaleiro entre as murtas (1.7-17); visão dos quatro chifres e dos quatro ferreiros (1.18-21); visão de um homem medindo Jerusalém (2.1-13);
visão do castiçal de ouro e das duas oliveiras (4.1-14); visão do Rolo voador (5.1-4); visão da mulher num efa (5.5-11); visão dos quatro carros (6.1-8).

O Dia da batalha. Zacarias concluiu sua profecia com uma descrição da culminante batalha terrena, quando o próprio Senhor se envolverá na peleja. Esse “homem de guerra”, característica do Senhor, foi aludido em (Êx 15.3), dramatizado em (Na 1.2, Hc 2.8-15 e Sf 3.8). Quando o Senhor sair para a peleja, se confrontará com todas as nações reunidas contra Jerusalém (Zc 14.2; Ap 19.9). Suas armas não são reveladas, mas a batalha será ganha (Zc 14.12).

V – O LIVRO DE ZACARIAS E O NOVO TESTAMENTO
Não há dúvidas acerca da influência do livro de Zacarias nas páginas do Novo Testamento. Vejamos:

Sacerdote e Profeta. A harmonização da vida pessoal de Zacarias no desenvolvimento dos serviços profético e sacerdotal certamente contribuiu para demonstrar mais à frente que Cristo tanto era profeta como sacerdote.

A morte de Cristo e o arrependimento dos judeus. Além disso, Zacarias profetizou a respeito da morte expiatória de Cristo pelas mãos dos próprios judeus, que, no fim dos tempos, levará esses mesmos judeus a se arrependerem profundamente de terem crucificado o Messias que eles tanto esperavam. Tal reconhecimento só terá lugar na segunda fase da Segunda Vinda de Cristo (Zc 12.8-10).

Profecias Messiânicas. Trata-se da contribuição mais importante do livro de Zacarias. Os escritos do Novo Testamento citam Zacarias, declarando que suas profecias foram cumpridas em Jesus Cristo. Vejamos algumas destas profecias:

Ele viria de modo humilde e modesto (Zc 9.9; 13.7 cf. Mt 21.5; 26.31,56);
Ele restaurará Israel pelo sangue do seu concerto (Zc 9.11 cf. Mc 14.24);
Ele seria pastor das ovelhas de Deus que estavam dispersas e desgarradas (Zc 10.2; 13.7 cf. Mt 24.30; 26.31,56);
Ele seria traído e rejeitado (Zc 11.12,13 cf Mt 26.15; 27.9,10);
Ele seria traspassado e abatido (Zc 12.10; 13.7 cf Mt 24.30; 26.31);
Ele Voltaria em glória para livrar Israel de seus inimigos (Zc 14.1-6 cf. Mt 25.31; Ap 19.15);
Ele reinará como rei em paz e retidão, bem como estabelecerá seu Reino Glorioso para sempre sobre todas as nações (Zc 9.9,10; 14.6-19 cf. Rm 14.17; Ap 11.15; 21.24-26).

CONCLUSÃO
Vimos que o livro de Zacarias trata da reconstrução do Templo e da Vinda do Messias a esta terra. Trata-se de um livro de vasto conteúdo escatológico, sendo possível traçar um paralelo com os livros de Daniel e do Apocalipse. Apesar das visões parecerem ser misteriosas, elas são perfeitamente compreensíveis, pois se relacionam com a nação de Israel e com o Messias. O Senhor demonstra ser justo e misericordioso, garantindo um futuro glorioso e de paz ao seu povo, quando o Cristo haverá de reinar sobre a terra com base em Jerusalém.

REFERÊNCIAS
ARCHER, Gleason L. Merece Confiança o Antigo Testamento. VIDA NOVA. STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
BÍBLIA DE ESTUDO PALAVRA CHAVE. SOARES, Esequias. O Ministério Profético na Bíblia. CPAD.
ELLISEN, Stanley. Conheça Melhor o Antigo Testamento. VIDA. ZUCK, Roy B. Teologia do Antigo Testamento. CPAD.

14/12/2012

LIÇÃO 11 – AGEU – O COMPROMISSO DO POVO DA ALIANÇA



INTRODUÇÃO
Ageu é o primeiro de três livros pós-exílicos do AT (os outros dois são Zacarias e Malaquias). Ele é chamado de “o profeta”(Ag 1.1; 2.1,10; Ed 6.14) e embaixador do Senhor (Ag 1.13). A profecia de Ageu tinha por objetivo encorajar os desanimados judeus que retornaram do exílio a reconstruir o templo, depois dos setenta anos do cativeiro babilônico.

I – INFORMAÇÕES SOBRE O PROFETA AGEU

Nome. Do hebraico Haggai significa “festividade” ou “festivo”. Provavelmente ele recebeu este nome porque o seu nascimento coincidiu com uma das festas judaicas. Seu nome está ligado ao maior objetivo de sua profecia, que era completar o templo para reiniciar as festividades religiosas. A tradição judaica sustenta que ele nasceu na Babilônia e estudou sob a orientação do profeta Ezequiel.
Evidentemente veio para Jerusalém após o retorno do primeiro grupo de exilados em 537 a.C., pois o seu nome não consta da lista dos que retornaram (Ed 2.2) (ELISSEN, 2004, p.329).

Livro. O livro de Ageu contém dois capítulos e quatro mensagens, cada uma delas introduzida pela frase “a Palavra do Senhor” como veremos a seguir: (1ª) Ageu repreende os judeus por estarem tão interessados em suas próprias casas, revestidas de cedro por dentro, enquanto a Casa de Deus permanecia em desolação (Ag 1.4). (2ª) Poucas semanas depois, a reação dos judeus, que haviam visto a glória do primeiro templo e que consideravam como nada o segundo, começava a desanimar o povo (Ag 2.3). Ageu, então, exorta os líderes a se mostrarem corajosos, porque seus esforços faziam parte de um quadro profético mais amplo (Ag 2.4-7); e “a glória desta última casa será maior do que a da primeira” (Ag 2.9). (3ª) A terceira mensagem de Ageu conclama o povo a viver uma vida de santa obediência (Ag 2.10-19); e (4ª) A última mensagem prediz que Zorobabel representaria a continuação da linhagem e da promessa messiânica (Ag 2.20-23).

Contemporâneos. Zacarias, um profeta mais jovem, foi contemporâneo de Ageu. Os dois tornaram-se os principais incentivadores dos trabalhos de restauração, ao apressarem o povo recém-chegado do exílio a reiniciar a construção do Templo (ELISSEN, 2004, p.329).

Contexto histórico e político do livro. Em 538 a.C., Ciro rei da Pérsia, promulgara um decreto, permitindo aos judeus exilados voltarem à pátria para reconstruir Jerusalém e o templo, cumprindo, assim, as profecias de Isaías e Jeremias (Is 45.1-3; Jr 25.11,12; 29.10-14), e a intercessão de Daniel (Dn 9). O primeiro grupo de judeus a voltar a Jerusalém, havia lançado os alicerces do novo templo em 536 a.C., em meio a muita emoção e expectativa (Ed 3.8-10). No entanto, os samaritanos e outros vizinhos opuseram-se fisicamente ao empreendimento, desanimando aos trabalhadores de tal maneira, que a obra acabou por ser interrompida em 534 a.C. A indiferença espiritual generalizou-se, induzindo o povo a voltar à reconstrução de suas próprias casas. Em 520 a.C., Ageu, acompanhado pelo profeta Zacarias, conclama Zorobabel e o povo a retornar a construção da casa de Deus. Quatro anos mais tarde, o Templo foi completado e dedicado ao Senhor (Ed cap. 4-6). Elissen (2004, p.330), nos relata as datas e os acontecimentos relativos ao contexto do livro:

DATA ACONTECIMENTO

538 a.C. Decreto de Ciro para o retorno dos judeus a fim de reconstruírem o Templo (Ed 1.1).
537 a.C. Retorno dos primeiros cativos sob governo de Sesbazar (Ed 2.1); o altar foi erguido e as ofertas foram reiniciadas em Jerusalém (Ed 3.6).
536 a.C. Começa a reconstrução das fundações do Templo (Ed 3.10).
534 a.C. Reconstrução interrompida devido a ameça dos samaritanos (Ed 4.4-5).
530 a.C. Interrupção oficial da reconstrução por ordem de Artaxerxes (Ed 4.6, 21).
521 a.C. Ascensão de Dario Histaspes ao trono persa (Ed 4.5).
520 a.C. Retomada da construção do Templo após a insistência de Ageu e Zacarias (Ed 5.1,2; Ag 1.14,15); Decreto de Dario I para recomeçar a construção do Templo, com garantia de subsidio e proteção a fim de assegurar o seu término (Ed 4.24; 6.8).
516 a.C. Templo terminado em 3 de março (Adar), possibilitando a observância da Páscoa em 14 de abril (Ed 6.19).
Contexto religioso. Em 537 a.C. começou uma grande era para os judeus com a volta do cativeiro e o reinício das ofertas da aliança em Jerusalém. Mas a pausa na reconstrução esfriou o entusiasmo de todos, e eles se voltaram para interesses pessoais. Todavia, essas atividades resultaram em um castigo por não terem tido em alto apreço a fundação do novo Templo (Ed 3.12-13; Ag 2.3). Após aproximadamente 14 anos de negligência na reconstrução do templo, o Senhor mandou seca e má colheita ao povo a fim de alertá-lo.
Mandou depois os profetas Ageu e Zacarias mostrar-lhes a causa do problema econômico e sugerir que todos cuidassem da sua
responsabilidade mais importante, a reconstrução do templo do Senhor (ELISSEN, 2004, pp.330,331).

II – A MENSAGEM DO PROFETA AGEU PARA O POVO DE JUDÁ

Após o retorno do cativeiro babilônico, os judeus tinham uma importantíssima tarefa: reconstruir o Templo e restaurar o culto a
Jeová. Mas, além das dificuldades, a obra foi embargada por determinação do rei Artaxerxes, da Pérsia, por causa de uma denúncia acusatória dos vizinhos e inimigos do povo judeu (Ed 3.8,9; 4.7,8,17-24). Por causa disso, a obra arrastou-se, o povo perdeu ânimo e tornou-se egoísta cuidando apenas de suas moradias (Ag 1.4). Foi nesta ocasião que Deus levantou o profeta Ageu. Vejamos o resumo de
sua mensagem:

Mensagem de repreensão (Ag 1.1-11). Por causa do descaso do povo judeu para com o Templo, Deus os castigou e lhes sobreveio colheitas escassas, secas e miséria (Ag 1.6). Eles trabalhavam intensamente, mas não sentiam real alegria e motivação (Ag 1.6, 9-11).
Mais do que qualquer outra pessoa, Ageu foi o responsável por conseguir que a reconstrução recomeçasse e fosse concluída. Ele insistiu com os líderes e o povo para atender a essa prioridade, para que Deus pudesse derramar bençãos sobre todos os empreendimentos do povo: “Olhastes para muito, mas eis que alcançastes pouco; e esse pouco, quando o trouxestes para casa, eu lhe assoprei. Por quê? disse o Senhor dos Exércitos. Por causa da minha casa, que está deserta, e cada um de vós corre à sua própria casa. Por isso, retêm os céus o seu orvalho, e a terra retém os seus frutos” (Ag 1.9,10).

Mensagem de ânimo (Ag 2.1-9). Enquanto o povo edificava, novo desânimo apoderou-se deles. Os mais velhos, lembrando-se do esplendor do Templo de Salomão, mostravam-se decepcionados com o novo Templo, pois era inferior no tamanho e na suntuosidade da alvenaria. Os próprios alicerces eram bem menores em extensão e os recursos eram muito limitados. Mas Ageu veio com uma palavra de ânimo, dizendo que Deus derramaria seus recursos naquele edifício e estaria no meio do novo templo: “E encherei de glória esta casa, diz o Senhor dos Exércitos” (2.7). “A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos; e neste lugar darei a paz, diz o Senhor dos Exércitos” (2.9).

Mensagem de esperança (Ag 2.10-23). Esta mensagem de purificação e benção foi proclamada três meses depois que o templo foi iniciado. Por meio de perguntas e respostas, Ageu mostrou ao povo a sua impureza e pecaminosidade (Ag 2.11-14). Mostrou-lhes que as suas orações não eram respondidas porque tinham protelado por tanto tempo o término do templo. Por sua culpa haviam arruinado tudo quanto tinham feito (Ag 2.15-19). Mas, se renovassem o seu zelo, descobririam que Deus os abençoaria: Há ainda semente no celeiro? Nem a videira, nem a figueira, nem a romeira, nem a oliveira têm dado os seus frutos; mas desde este dia vos abençoarei” (Ag 2.19).

III – A ATUALIDADE DA MENSAGEM DE AGEU PARA A IGREJA

Apesar de Ageu haver profetizado há cerca de 2.500 anos atrás, sua mensagem é atual e contemporânea. Vejamos:

“É para vós tempo de habitardes nas vossas casas estucadas, e esta casa há de ficar deserta? Ora, pois, assim diz o Senhor do Exércitos: Aplicai o vosso coração aos vossos caminhos” (Ag 1.4,5). Os judeus que haviam retornado do cativeiro estavam tão ocupados com suas próprias casas que haviam se esquecido da Casa de Deus. O Senhor perguntou-lhes, então, como eles podiam viver com tanto luxo, enquanto o templo estava em ruínas. Semelhantemente, muitos cristãos estão tão ocupados com as coisas transitórias desta vida, que acabam esquecendo de investir no Reino de Deus. Não esqueçamos, pois, do mandamento divino, através do profeta Malaquias: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa...” (Ml 3.10a).

“Semeais muito, e recolheis pouco; comeis, mas não vos fartais; bebeis, mas não vos saciais; vesti-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o num saco furado” (Ag 1.6). Pelo fato de o povo não dar a Deus o primeiro lugar em suas vidas, seu trabalho não era frutífero, nem produtivo, e suas posses materiais não eram satisfatórias, ou seja, a bênção de Deus foi retida. De igual modo, podemos enfrentar um declínio de bênçãos materiais e espirituais, quando não priorizamos a obra de Deus. Como disse o Senhor Jesus: “Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33).

“Ora, pois, esforça-te, Zorobabel, diz o Senhor, e esforça-te, Josué, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, e esforçai-vos, todo o povo da terra, diz o Senhor, e trabalhai; porque eu sou convosco, diz o Senhor dos Exércitos” (Ag 2.4). Por intermédio do profeta Ageu, Deus animou não só o povo (Ag 1.7,8), mas, também, a liderança política e religiosa – Josué, o governador; e Josadaque, o sumo sacerdote – para trabalhar (Ag 2.4). Ele prometeu estar com eles, mas, exigiu esforço, trabalho e dedicação. Aprendemos que Deus age, quando nos dispomos a trabalhar para Ele (Js 1.6-9; Mt 28.19,20; Mc 16.20).

CONCLUSÃO

Ageu foi um dos profetas mais bem-sucedidos em termos de resultados imediatos. Suas palavras foram ouvidas, o povo reanimado, e o Templo foi reconstruído, mesmo diante de grandes dificuldades e oposições. Mas, não apenas isto. Ele profetizou que "A glória desta última casa será maior que a da primeira" (2:9). E, como a glória deste Templo foi inferior a do Templo de Salomão, em termos de tamanho e suntuosidade, cremos que esta glória não estava baseada em termos de prata e o ouro, mas, a presença do Senhor Jesus nele (Mt 21.12,14; Mc 11.11,15; Lc 19.45; 20.1; Jo 8.2,20,59).

REFERÊNCIAS

• ELISSEN, Stanley. Conheça melhor o Antigo Testamento. VIDA.
• MEARS, Henrieta. Estudo Panorâmico da Bíblia. VIDA.
• CHAMPLIN, R.N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
• SOARES, Esequias. Visão Panorâmica do Antigo Testamento. CPAD.
• STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

10/11/2012

LIÇÃO 06 – JONAS – A MISERICÓRDIA DIVINA



 
INTRODUÇÃO

O Livro de Jonas é considerado como o “João 3.16” do AT e contém o relato do maior avivamento registrado na Bíblia onde toda a cidade de Nínive abandonou os seus caminhos iníquos e voltou-se para Deus (Jn 3.1-10). A lição de Jonas nos mostra as consequências que sobrevêm aos que deliberadamente desobedecem ao chamado de Deus. Estudaremos acerca deste profeta, considerado-o missionário do AT. Ele foi enviado a uma nação idólatra para anunciar o Deus Verdadeiro. Porém, esta lição também se torna uma advertência para nós, pois nos lembra que não podemos nos esconder diante dos olhos do SENHOR.

I – INFORMAÇÕES SOBRE O PROFETA JONAS

Identificado como “filho de Amitai” (2Rs 14.25; Jn 1.1), Jonas do hebraico “Yonah” era natural da pequena vila de Gate-Hefer que distava uns 4 Km ao norte de Nazaré, na Galiléia. A tradição judaica diz ser ele o filho da viúva de Sarepta que foi ressuscitado por Elias, mas isso nunca obteve uma sólida confirmação (ELLISEN, 2012, p. 350). Portanto, Jonas era galileu, bem como Naum e Malaquias. É mencionado como sendo um profeta de Israel durante o reinado de Jeroboão II no distrito da tribo de Zebulom atual Mashhad (2Rs 24.25; Js 9.1) […] Ao que parece, foi por meio de suas palavras de incentivo que Jeroboão II recuperou os territórios
perdidos anteriormente para os sírios (2Rs 10.32-33) e trouxe de volta um pouco da glória dos dias de Davi e Salomão (1Rs 8.65) [...] (GARDNER, 2005, p. 371). O livro narra dois grandes milagres: o primeiro é a experiência do profeta no ventre do grande peixe (Jn 2.1- 10), e o segundo é a conversão inteira de Nínive, uma cidade pagã (3.1-10).

1.1 Nome. Jonas, cujo nome significa pomba” era um nome muito comum em Israel […] era dado pelas mães aos seus filhos como um título afetuoso, pois a pomba é uma ave que demonstra muito carinho com os outros membros da sua espécie [...] (CHAMPLIN, 2001, p. 3547). Foi um profeta do Reino do Norte conhecido também como Samaria ou Efraim, e seu vaticínio aos ninivitas não foi o único de seu ministério. No período do rei Jeroboão II, quando era rei de Samaria, este restabeleceu os termos de Israel de acordo com
uma profecia do profeta Jonas (2Rs 14.23-25). Jonas foi chamado para pregar aos inimigos do povo de Deus, os assirios (Jn 1.1), que tinham um histórico de maldades e crueldades para com os povos dominados.

1.2 Livro. Este livro, diferentemente de qualquer outro do AT, contém de forma clara a mensagem da graça salvífica de Deus tanto para judeus como para gentios. Jonas de forma diferente dos outros profetas de Israel (Reino do Norte) e de Judá (Reino do Sul), foi chamado por Deus, para fazer algo que não estava em seu coração. Assim sendo, ele fugiu para escapar da desagradável tarefa de pregar à pagã cidade de Nínive que ficava cerca de 960 Km a nordeste da Galileia, viagem que durava em torno de três meses.
(SCHULTZ, 2009, p. 3553).

1.3 Período que profetizou. O período histórico do ministério de Jonas é narrado com detalhes em II Reis 14 e 15 e, nesses tempos, a Assíria exercia seu poderio no Oriente Médio. Era uma nação cruel e detestada por suas práticas desumanas. Jonas viveu na época de Jeroboão II, entre 793-753 a.C, quando o reino de Israel vivia sob pressão dos assírios (SOARES, 2003, p.209). O nome do rei ninivita impactado com a pregação de Jonas, segundo se diz, é Adade-Nirari III, falecido em 783 a.C. Nínive era a capital do império assírio –
inimigos declarados do povo de Israel.

1.4 Contemporâneos. O ministério de Jonas teve lugar pouco depois do profeta Elias (2Rs 13.14-19), que coincidiu parcialmente com o profeta Amós (Am 1.1) e foi seguido pelo profeta Oseias (Os 1.1) (STAMPS, 1997, p.1313).

II – A SITUAÇÃO DE ISRAEL E NÍNIVE

2.1 Situação política. A relação da Assíria com Israel (Reino do Norte) não era das melhores. Israel pagava tributos à Assíria até que Jeroboão II rebelou-se contra seus inimigos (2Rs 10.32-33; 1Rs 8.65). Independência política, expansão e prosperidade caracterizaram a nação de Israel durante o clímax do sucesso de Jeroboão II […] A dinastia de Jeú eventualmente conduziu o reino do Norte (Samaria ou Efraim) ao pico do prestígio econômico e político, durante a primeira metade do século VIII a.C. (SCHULTZ, 2009, p. 438).

2.2 Situação social. Israel sentia-se seguro e estava em ascensão, enquanto a Assíria achava-se em declínio político (ELLISEN, 2012, p. 353). As relações comerciais se expandiram e o comércio internacional floresceu acima de qualquer coisa que Israel conhecera desde os dias de Salomão. Nesta época de êxito comerciais e de expansão territorial, a cidade de Samaria (Reino do Norte) fortificouse diante da possibilidade de invasão estrangeira (SCHULTZ, 2009, p. 439).

2.3 Situação espiritual. Quando Israel (Reino do Norte) atingiu seu período culminante, apareceram dois profetas: Amós e Oseias.
Cada um deles, por sua vez, procurou despertar os cidadãos de Israel de sua letargia espiritual, mas nenhum deles conseguiu desviar o povo da apostasia (SCHULTZ, 2009, p. 440).

III – CONHECENDO UM POUCO A CIDADE DE NÍNIVE

Geograficamente, Nínive estava localizada a leste do rio Tigre e distante aproximadamente 960 Km de Israel, uma viagem de três meses nos tempos antigos. A Cidade de Nínive (atual Iraque) foi fundada por Ninrode, filho de Cam, neto de Noé, por volta de 4500 a.C. (Gn 10.11-12). Assíria é conhecida como o país de Ninrode (Mq 5.6), vindo Nínive a se tornar a capital do império assírio. Esta cidade é mencionada no tempo do rei caldeu Hamurabi como sendo a sede do culto de Istar. Em (2Rs 19.36) e em (Is 37.37) é ela, pela primeira vez, claramente indicada, como residência do monarca da Assíria. O rei assírio Senaqueribe reedificou-a, e foi morto ali quando estava em adoração no templo de Nisroque, seu deus. Nos dias do profeta Jonas era aquela capital uma cidade mui importante [...] e de três dias para percorrê-la” (Jn 1.2; 3.3). Os ninivitas era um povo de guerra, e eram conhecidos por sua crueldade. São indescritíveis as torturas que eles aplicavam aos seus prisioneiros. A arte bélica era a principal característica dos assírios. Os palácios de Nínive eram cobertos de esculturas em baixo-relevo, representando cenas de batalhas e da vida cotidiana dos assírios. Nos tempos de Jonas calcula-se que sua população era de 600.000 habitantes, incluindo 120.000 crianças e muitos animais.
O muro externo da cidade tinha 96 Km de extensão, 30 metros de altura e uma largura suficiente para três carroças conduzidas lado a lado. Havia 50 torres de 60 metros de altura para o serviço de vigilância realizado pelas sentinelas (ELLISEN, 2012, p. 352).

IV – A MENSAGEM DE DEUS ATRAVÉS DE JONAS

Este livro é um sério apelo para a ação evangelística e missionária da Igreja, que foi chamada para proclamar a Palavra (Mt 28.18-20; Mc 16.15-18; Jo 20.21; At 1.8). Jonas é, com certeza, um profeta bem diferente dos demais chamados de “menores”. Ele teve um chamado missionário, e fez o que foi possível para fugir dessa vocação divina. O tema principal do livro é a infinita misericórdia de Deus e a sua soberania sobre TODAS as nações, ou seja, o Senhor está interessado em salvar TODAS as pessoas de TODAS as nacionalidades e de TODAS as tribos (Ap 7.9-10). Segundo Donald Stamps o comentarista da Bíblia de Estudo Pentecostal (1997,
pp.1312-1313), depreende-se neste livro uma tríplice mensagem: demonstrar a Israel (Reino do Norte) e às nações pagãs a magnitude e a ampliação da misericórdia divina através da pregação do arrependimento; demonstrar, através da experiência de Jonas, até que ponto Israel (Reino do Norte) decaía de sua vocação missionária original, de ser luz e redenção aos que habitam nas trevas (Gn 12.1-3; Is 42.6-7; 49.6) e lembrar ao Israel apóstata que Deus, em seu amor e misericórdia, enviaria à nação, não um único profeta, mas muitos
fiéis, que entregariam sua mensagem de arrependimento.

V – O PROFETA QUE FUGIU DE SUA MISSÃO

 Quando Deus mandou Jonas pregar àquela cidade, ele recusou-se a ir, por causa do ódio que sentia pelos assírios (Jn 4.1-4).
Os guerreiros assírios eram considerados os mais sanguinários e brutais e gostavam de inventar novas formas de torturar os prisioneiros. Frequentemente, obrigavam seus prisioneiros abrir a barriga das grávidas e arrancarem seus filhos e lançarem nas pedras, arrancavam a pele das pessoas, suas unhas, seus olhos, sua língua ou as erguiam no ar espetadas no peito por uma grande lança.
Talvez, pelo fato de conhecer a crueldade dos assírios, Jonas tenha relutado, pois seu próprio povo já tinha sofrido muito nas mãos deles e, naquele tempo, seus exércitos ameaçavam Israel. Seu livro mostra a resistência desse profeta ao propósito divino de evangelizar a raça mais cruel do mundo da época. E o que vamos verificar é que o inexplicável amor de Deus para com Nínive não encontra eco no coração de Jonas. Foram os preconceitos de Jonas que o levaram a fugir da Missão que Deus lhe havia ordenado.

Vejamos quais são:

Preconceitos políticos: Os ninivitas eram velhos inimigos de seu povo;
Preconceitos raciais: Os ninivitas eram gentios e não pertenciam ao povo escolhido (Israel);
Preconceitos religiosos: Os ninivitas eram um povo tão idólatra e pagão que nem devia ser perdoado.

Quantas vezes os nossos preconceitos nos impedem de sermos úteis a Deus. Os nossos preconceitos as vezes sufocam o amor às pessoas; aniquila nossa compaixão; obscurece nossa visão; seca as fontes da nossa espiritualidade e empobrece nossa mensagem. Jonas conhecia muito bem Nínive e a odiava porque sabia de suas crueldades, e também conhecia a Deus e seu amor, e sabia que Ele é misericordioso e grande em benignidade (Jn 4.2) e com certeza iria dar uma oportunidade de conversão aquele povo pagão. De acordo com a Revista Ensinador Cristão (2012, Ano 13, nº 52, p.39), não é demais chamá-lo de: egoísta: ele pensou em si mesmo com seu indiferentismo, e não na nação á qual Deus mandara ir; vingativo: ele desejava que os ninivitas fossem exterminados por Deus, por causa dos seus pecados e das atrocidades que cometeram e orgulhoso: seu senso nacionalista era muito forte, fazendo-o crer que ele estava acima da vontade de Deus.
Apesar da relutância em levar a mensagem, os ninivitas demonstraram a sua fé em Deus, humilhando-se perante Ele e jejuando, onde até mesmo a inclusão de animais no jejum é documentada em fontes extrabíblicas, tais como Heródoto, historiador grego, nascido no séc. V. a.C.

VI – A ATUALIDADE DA MENSAGEM DE JONAS PARA A IGREJA

Jonas era o típico judeu que nunca entenderia como seria possível que Deus viesse a amar os assírios. Ao contrário, ele esperava que o Deus Javé se voltasse contra eles e os destruísse. O registro da missão do profeta jonas é LITERAL, e portanto, HISTÓRICO e não ALEGÓRICO como alguns teólogos liberais afirmam. Assim, o livro foi interpretado pelo Senhor Jesus (Mt 12.38-42; 16.4; Lc 11.29-32). O relato de Jonas mostra que ninguém pode fugir de Deus, e que o amor de Deus excede todo entendimento humano (SOARES, 2003, p.210). Ao invés de ir para Nínive (atual Iraque), Jonas tomou um navio para Társis (considerada por muitos estudiosos, como sendo Tartessus, situada na costa sudoeste da atual Espanha), um lugar muito distante de onde Deus o havia enviado.
O registro de Jonas é uma ilustração veterotestamentária da verdade contida em João 3.16 “Porque Deus AMOU O MUNDO de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que TODO aquele que nele CRÊ não pereça, mas TENHA a vida eterna”.
Deus ensina ao profeta contrariado, que Ele se deleita em colocar sua graça à disposição de TODOS os homens sem acepção, e não apenas de Israel e Judá. O Senhor faz o profeta entender que tomou as  rovidências para que houvesse uma missão de misericórdia, com a finalidade de prover remédio para o pecado e para a degradação moral e espiritual de todo o mundo e demonstrar ainda que: Deus está interessado não somente em um povo seleto (Israel), mas também nos gentios (Gn 12.1-3; Is 42.6-7; 49.6). Se Deus teve
tanto interesse pelo futuro de Nínive uma nação pagã, então TODOS OS POVOS devem ser vistos como objetos de seu amor, graça e misericórdia. E assim Jonas aprendeu a lição:
• Que a salvação não é recebida por obras, mas pela graça mediante a fé demonstrada pelo arrependimento, como ocorreu com os ninivitas (Rm 10.9; 13; Ef 2.5; 8);
• Que o Deus dos hebreus, também expressava amor e interesse pelo mundo todo, e que oferecia o perdão e salvação até mesmo aqueles que Jonas preferia odiar (Jn 4.10-11);
• Que ele mesmo experimentou o perdão de Deus quando foi desobediente e recebeu uma nova oportunidade para obedecer, e esta mesma oportunidade foi dada aos ninivitas (Jn 2.1-10; 3.1);
• Que Deus julga a iniquidade em todas as esferas e, do mesmo modo, reage ao arrependimento de todas as nações (Ez 18.21).

CONCLUSÃO

Ao estudar o livro de Jonas, percebemos que fora escrito com o propósito de lembrar o alto valor da pregação missionária. Deus não quer que ninguém se perca, mas deseja que todos venham ao arrependimento (2Pe 3. 9). E que apesar das imperfeições do pregador, a mensagem de Deus alcançou o resultado desejado e sua imensa compaixão pelos homens foi demonstrada eficazmente.

REFERÊNCIAS
• GARNER, Paul. Quem é quem na Bíblia Sagrada. VIDA
• ELISSEN, Stanley. Conheça melhor o Antigo Testamento. VIDA.
• CHAMPLIN, R.N. O Novo Testamento Interpretado versículo por Versículo. HAGNOS.
• SOARES, Esequias. Visão Panorâmica do Antigo Testamento. CPAD.
• STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD