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23/01/2013

LIÇÃO 04 – ELIAS E OS PROFETAS DE BAAL - 1º TRIMESTRE 2013



INTRODUÇÃO

Nesta lição, estudaremos as implicações do desafio proposto por Elias aos profetas de Baal e de Asera. Veremos que não há outro Deus além do Deus de Israel, e não há verdadeiros profetas senão os profetas do Senhor. Tal verdade protesta contra o sincretismo religioso, ou seja, mistura de crenças que estava imperando nos corações dos israelitas nos dias de Elias. Tal sincretismo se estendeu ao longo dos séculos, chegando até os nossos dias, o que significa dizer que Deus levantará novos “Elias” para serem usados por Ele a fim de demonstrar que só o Senhor é Deus.

I – CONFRONTANDO OS FALSOS DEUSES

No desafio enfrentado por Elias, ele precisou enfrentar os representantes de pelo menos duas divindades daquela época, a saber: Baal e Aserá, as quais descreveremos agora.
Baal. O vocabulário hebraico significa “senhor”, “possuidor” ou “marido”. Quando os israelitas entraram em Canaã, notaram que cada trecho da terra tinha sua própria divindade. Dessa forma, constatamos o relato de vários Baais, cuja forma plural foi traduzido por Baalins (I Rs 18.18). Na maioria das vezes, o sobrenome da divindade variava de acordo com a localidade. Um exemplo disso é Baal-Peor, divindade de uma área correspondente a uma montanha na região ao norte do Mar Morto e defronte de Jericó (Nm 25.3). Vejamos algumas outras variações para o termo Baal:
Baal-Berite. Essa expressão significa “senhor das alianças”. Aparece somente em Jz 8.33. Quando do falecimento de Gideão, os filhos de Israel tornaram a se corromper e se envolveram com esta divindade. El Berite era um deus cananeu que tinha o seu santuário em Siquém (Jz 9.46).
Baal-Gade. Diz respeito à fronteira norte mais afastada da conquista israelita, no sopé do Monte Hermon. Essa localidade é descrita quando das conquistas na época de Josué (Js 11.17).
Baal-Hazor. Trata-se de um monte de 1000 m de altura, a 15 Km a noroeste de Betel. Essa localidade é descrita em II Sm 13.23.
Baal-Meom. Também conhecida como Bete-Baal-Meom (Js 13.17), Bete-Meom (Jr 48.23) e Beom (Nm 32.3). Era uma das diversas aldeias edificadas pelos rubenitas no território de Seom, o amorreu (Nm 32.38).
Baal-Zebube ou Belzebu. No Antigo Testamento, Baal-Zebube era o “senhor das moscas”, o deus de Ecrom, ao qual Acazias desejou consultar, mas foi impedido pela interferência justamente de Elias (II Rs 1.1-6,16). Alguns entendem que a expressão Baal-Zebube é uma forma irreverente dada pelos judeus ao título Baal-Zebul cananeu, “senhor dos lugares altos”. Mas ainda no Novo Testamento, os fariseus acusaram Jesus de expulsar os demônios por Belzebu, “maioral dos demônios” (Mt 12.24-29; Mt 10.25).
Baal-Zefom. Essa expressão significa “senhor do norte”. Nome de um lugar no leste do delta egípcio, perto do qual os israelitas se acamparam durante seu êxodo (Êx 14.2,9; Nm 33.7).
 Asera, Astarte ou Astarote. São três termos correlatos que tratam da deusa mãe com aspectos de deusa da fertilidade, do amor e da guerra, conhecida dos israelitas por meio dos cananeus (I Rs 11.5). Os israelitas adotaram a adoração a Astarote juntamente com a adoração a Baal logo após chegarem à terra prometida (Jz 2.13). Era uma adoração comum no tempo de Samuel (I Sm 7.3,4; 12.10), tendo recebido sanção real por parte de Salomão (I Rs 11.5). Outra expressão correspondente a Asera é “poste-ídolo”. O Antigo Testamento se refere algumas vezes ao poste-ídolo como uma deusa (II Rs 23.4 – Almeida Revista e Atualizada), interessante que a NVI (Nova Versão Internacional) traduz essa mesma expressão por “Aserá”, o poste-ídolo também é usado acerca de uma imagem feita para essa deusa (I Rs 15.13 – Almeida Revista e Atualizada).

II – CONFRONTANDO OS FALSOS PROFETAS

A Bíblia diz que os profetas de Baal eram 450, e os profetas de Aserá eram 400 (I Rs 18.19), ou seja, eles eram maioria. Apesar dessa maioria numérica, estes oitocentos e cinquenta profetas ficaram confundidos e envergonhados, pois somente o Deus de Elias respondeu com fogo e dissipou toda dúvida do coração do povo (I Rs 18.38,39). Ao longo de toda a Bíblia constatamos a triste realidade de que os falsos profetas são maioria:
No Egito, os magos e encantadores de Faraó eram a maioria. Somente Moisés era o verdadeiro profeta (Ex 7.8-13). Apesar da maioria egípcia, Moisés prevaleceu, pois o Senhor estava com ele;
Nos dias de Josafá e Acabe, havia quatrocentos profetas alugados por Acabe para profetizarem somente o bem para ele, mas apenas
Micaías era o verdadeiro profeta (I Rs 22.1-28). O servo do Senhor fora humilhado e rejeitado, mas as palavras que saíram da sua boca se cumpriram integralmente;
Nos dias do rei Zedequias, o profeta Jeremias se levantou contra a esmagadora maioria dos profetas, dos sacerdotes e de todo o povo (Jr 27-28);
Jesus nos preveniu quanto ao advento dos falsos profetas, e que eles seriam muitos (Mt 24.11);
O apóstolo Paulo combateu durante todo o seu ministério os falsos ensinos, que se levantavam constantemente contra a ortodoxia bíblica (I Tm 4.1,2; 6.3-5; II Tm 3.1-9).
A forma mais eficaz de confrontar os falsos profetas é ensinando incansavelmente a sã doutrina. Fazer o que o apóstolo Paulo recomendou a Timóteo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (I Tm 4.16; II Tm 1.13; 2.15). O apóstolo dos gentios tinha um zelo doutrinário incansável, a fim de preservar a saúde espiritual do rebanho do Senhor. Por isso, ele dizia a Timóteo: “que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina” (II Tm 4.2; cf. 4.3-5). Quando se ensina a sã doutrina, a boca dos falsos profetas fica tapada (Tt 1.10-14).

III – DEUS REQUER EXCLUSIVIDADE

Por ser Deus o único Senhor do universo (Is 44.8) e único Redentor do homem (Is 43.11,25), Ele exige exclusividade no que diz respeito à adoração e ao reconhecimento humano quanto a isso: Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor, às imagens de escultura” (Is 42.8).
Os falsos profetas de Baal conseguiram dividir o coração dos filhos de Israel. Eis a razão porque Elias se indignou tanto contra os
israelitas: Então, Elias se chegou a todo o povo e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; e, se Baal, segui-o. Porém o povo lhe não respondeu nada” (I Rs 18.21).
Coxeareis. O termo coxear, vem do hebraico pasah, e significa “ficar coxo, manco, passar por cima, vacilar”. Essa mesma palavra é utilizada para o neto de Saul, Mefibosete, que ficou manco (II Sm 4.4). Aplicado à situação no Monte Carmelo, coxear aponta para a vacilação ou oscilação no coração do povo em relação ao Senhor e à Baal.
O silêncio do povo. Diante da pergunta do profeta, o povo demonstra incrível indiferença e oferece o silêncio como resposta, o que evidencia claramente que, de fato, os israelitas estavam em dúvida quanto à exclusividade de Deus como o Senhor. Mas Deus fez questão de dissipar toda e qualquer dúvida, derramando fogo do céu e consumindo todo o holocausto (I Rs 18.38,39). Com tal demonstração, ficou claro que só o Senhor é Deus. Ainda há outros exemplos bíblicos de momentos em que o coração dos israelitas coxeou, oscilou, vacilou entre Deus e outra divindade:
Quando da peregrinação no deserto, os filhos de Israel construíram um bezerro de ouro e o adoraram, mas Deus logo demonstrou que somente Ele era o Senhor a ser temido e adorado por seu povo. Naquele dia, quase três mil homens morreram (Ex 32.1-29);
Nos seus dias, Josué relembra ao povo toda a grandeza e obras magníficas do Senhor e protesta contra a idolatria reinante entre eles. Ele convoca os israelitas a se desfazerem de todos os demais deuses e, à semelhança dele e de sua casa, servirem exclusivamente a Deus (Js 24.1-25).
Nos dias de Samuel, o coração do povo também estava dividido entre Deus e os baalins e astarotes. O Senhor permitiu que a calamidade visitasse os israelitas e só lhes enviou a vitória sobre os filisteus depois que eles se despojaram de todo resquício de idolatria, e serviram somente ao Senhor (I Sm 2.1-7.4).
Nos dias anteriores ao cativeiro da Assíria, Deus protestou contra o seu povo categoricamente: “O seu coração está dividido...” (Os 10.2).
O resultado foi que a ira de Deus se acendeu contra o seu povo e lhe enviou o cativeiro. Deus requer a sua exclusividade, demonstrando o seu poder, seja abençoando ou permitindo a maldição;
Com a nação de Judá não foi diferente. Somente com o envio do cativeiro babilônico foi que o povo se deixou curar de seu sincretismo, de sua idolatria e entendeu que a adoração deve ser tributada única e exclusivamente a Deus, pois só Ele é o Senhor (II Cr 36.11-16; Ed 9-10).

IV - A SINGULARIDADE DE CRISTO

Já vimos que nas páginas do Antigo Testamento, o Senhor se coloca totalmente contrário ao sincretismo religioso, pois requer exclusividade no que diz respeito à adoração e serviço. Como Ele não muda, tal exclusivismo e repúdio ao sincretismo permanecem em o Novo Testamento. Somente Jesus é o Senhor e toda e qualquer religião que não creia nEle conforme às Escrituras devem ser rejeitadas, pois, Ele é:
Singular na concepção (Is 7.14; Lc 1.26-38);
Singular nos milagres. Sua vida foi marcada pela realização de milagres até então jamais vistos (Mt 14.25; Jo 6.11; 9.7; Mc 2.3; Lc 7.11-15);
Singular na morte. Todos os eventos que rodearam a sua morte na cruz são maravilhosos, desde a escuridão até as suas atitudes durante o martírio revelam isso. Sem contar que somente a Sua morte trouxe redenção a toda humanidade (Jo 3.16; Rm 5.15-21; Cl 2.14). Pelos méritos de sua morte, Ele é o único que pode salvar (At 4.12) e o único mediador entre Deus e o homem (Jo 14.6; I Tm 2.5);
Singular na ressurreição e ascensão. Ela havia sido predita no Antigo Testamento (Sl 2; 16) e concretizou-se no Novo Testamento (Mt 28). Diferente das demais ressurreições narradas na Bíblia até então, Jesus ressuscitou para nunca mais morrer, pois subiu aos céus e assentou-se à destra do Pai e está vivo para sempre;
Singular na santidade. Ele é santo em si mesmo. Até mesmo quando assumiu a condição humana, Cristo não pecou em momento algum (Hb 4.15). Isso foi reconhecido pelo povo, por Pilatos (Lc 23.4), por um soldado romano (Lc 23.47) e até mesmo por um dos ladrões na cruz (Lc 23.41).

CONCLUSÃO

O nosso Deus requer exclusividade e ainda demonstra porque somente Ele deve ser adorado e reconhecido como verdadeiro Deus. Não há espaços para a aceitação do sincretismo nas páginas da Bíblia, nem no Antigo e muito menos no Novo Testamento. O nosso Deus é singular e com Ele não há outro: Olhai para mim e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro” (Is 45.22).

REFERÊNCIAS
BÍBLIA DE ESTUDO PALAVRA CHAVE. CPAD.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
DOUGLAS, J.D. O Novo Dicionário da Bíblia. VIDA NOVA.
GEISLER, Norman. Enciclopédia de Apologética. VIDA ACADÊMICA.

11/01/2013

LIÇÃO 02 – ELIAS, O TISBITA - 1º TRIMESTRE 2013


INTRODUÇÃO

Deus levanta homens simples para fazer coisas extraordinárias, e Elias foi um deles. Nesta lição, obteremos informações detalhadas a cerca deste homem de Deus e qual a situação de Israel no período em que ele profetizou.

Veremos ainda como ele desempenhou seu ministério junto a monarquia, e por fim destacaremos que a missão de Elias de confrontar o pecado e convocar o povo ao arrependimento é uma figura da missão da Igreja de Cristo.


INFORMAÇÕES SOBRE O PROFETA ELIAS


De repente, Elias é apresentado aos leitores da Bíblia (I Rs 17.1). Como podemos ver, o texto não faz referência de seus ascendentes, contrariando os costumes dos hebreus. Em virtude disso alguns críticos pensam que tais personagens (sem nenhum registro genealógico) eram fictícias. No entanto, os apóstolos e o próprio Jesus Cristo fizeram referência a Elias, dando provas de que ele realmente existiu (Rm 11.2; Tg 5.17; Lc 4.26). Vejamos algumas informações a cerca deste profeta:


Nome. O nome desse profeta é composto por dois nomes divinos: El e Yah. O primeiro significa “Deus”, e o segundo é uma abreviação do nome de Yahweh. Portanto o nome de Elias no hebraico é “Elyahu” que significa: “Jeová é Deus”.
Como podemos ver, o próprio nome de Elias era uma espécie de proclamação de sua mensagem “...Vive o SENHOR Deus de Israel...” (I Rs 17.1). Foi denominado pela maioria dos estudiosos como o “profeta do fogo” (I Rs 18.24,38).



Lugar de origem. Quanto ao lugar de onde o profeta Elias advém, a Escritura nos diz:“Então Elias, o tisbita, dos moradores de Gileade” (I Rs 17.1-a). O adjetivo “tisbita” indica que ele era natural de Tisbe, que segundo alguns historiadores ficava em Gileade, entre os rios Jarmuque e Jaboque na Transjordânia (MOODY, sd, p. 58).

Características pessoais. Embora pelos registros bíblicos poucas coisas se saibam sobre a história pessoal e da família de Elias, várias características pessoais podem ser destacadas: vestia-se de uma maneira diferenciada (II Rs 1.8); era um homem dotado de grande autoridade espiritual, pois do contrário, não teria tido acesso ao rei (I Rs 17.1; 18.15,16); era fisicamente forte, visto que correu adiante do carro de Acabe, desde o monte Carmelo até a entrada de Jezreel (I Rs 18.42-46); vivia na prática da oração (I Rs 17.20; 18.36-38; 18.42-46); no entanto, seu lado humano ficou evidente por seu desencorajamento diante das ameaças de morte por Jezabel (I Rs 19.1-4).


Vocação e tarefa. Elias é considerado como homem de Deus e profeta (I Rs 17.24; 19.10,14; II Rs 1.9). Seu ministério foi marcado por operações miraculosas, tais como: cessação da chuva por três anos e meio (I Re 17.1); multiplicação da farinha e azeite para seu sustento, da viúva e do seu filho (I Rs 17.14-16); ressurreição do filho da viúva (I Rs 17.20-23); retorno da chuva (I Rs 18.1; 41-45); fez cair fogo do céu (II Rs 1.10); e subiu ao céu num redemoinho (I Rs 2.11). Elias foi o instrumento de Deus para tentar fazer com que o Reino do Norte (Israel-Samaria) voltasse para o Senhor a fim de que evitasse o cativeiro Assírio.

Período que profetizou. Como Elias profetiza durante o reinado de Acabe e parte da administração de Acazias, podemos concluir que ele exerceu seu ministério em (874 a 852 a.C.).


A SITUAÇÃO DO REINO DO NORTE NO PERÍODO DE ELIAS


Situação política. O Reino do Norte (Israel-Samaria) estava passando por um horrível momento de crise política, pois uma sequência de reis perversos haviam assumido o trono: Baasa (I Rs 15.33,34); depois Elá seu filho reinou também (I Rs 16.8,13); em seguida Zinri (I Rs 16.15,18,19); ainda veio Onri que foi constituído pelo povo como rei sobre Israel (I Rs 16.16,22,25); e, por fim, reinou Acabe que, segundo o relato bíblico, ultrapassou a maldade dos reis que lhe antecedera (I Rs 16.28-30).

Situação social. Acabe reinou no período de (874 a 853 a.C.), foi o mais destacado monarca da dinastia de Onri. Herdeiro de um reino que tinha favoráveis relações políticas com as nações circunvizinhas, Acabe expandiu com êxito os interesses políticos e comerciais de Israel, durante os vinte e dois anos de seu reinado. Por toda a nação de Israel, Acabe construiu e fortificou muitas cidades, incluindo Jericó (I Rs 16.34; 22.39). Além disso, ele impôs tributo a Moabe, na forma de gado (II Rs 3.4), o que lhe conferiu favorável balança comercial com a Síria e a Fenícia. Assegurou uma política de amizade com Judá, por meio do casamento de sua filha, Atalia, com Jeorão, filho de Josafá. Mantendo a paz e desenvolvendo um comércio lucrativo, Acabe pôde dar prosseguimento ao programa de construção de Samaria (SCHULTZ, 2009, pp. 208,209).

Situação espiritual. Embora Onri, rei que antecedera a Acabe, tenha introduzido em Israel a adoração a Baal (I Rs 16.25,26), foi Acabe quem promoveu a adoração a esse ídolo. A Bíblia diz que na grande capital de Samaria ele erigiu um templo dedicado a Baal (I Rs 16.30-33). Centenas de profetas falsos foram levados a Israel, para que o baalismo se tornasse religião do povo governado por Acabe. Diante disso Acabe adquiriu uma má reputação de ser o mais pecaminoso de todos os monarcas que governaram em Israel, pois irritara ao Senhor com a propagação da idolatria (I Rs 16.33).

A ATUAÇÃO DE ELIAS NO REINO DO NORTE


A Bíblia nos mostra que a monarquia foi instituída depois de alguns séculos da morte de Moisés (I Sm 8.5-7). No entanto, ele havia profetizado o surgimento do rei entre os hebreus (Dt 17.14) e direcionado por Deus traçou o perfil do monarca quando estivesse no governo: (1) ser escolhido pelo Senhor e não ser estrangeiro (Dt 17.15); (2) não acumular riquezas e mulheres (Dt 17.16,17); e (3) ter uma cópia da Lei sempre ao seu lado para lembrar-se das normas do Senhor ali contidas (Dt 17.18,19). Apesar destas recomendações, muitos reis principalmente do Reino do Norte, procederam impiamente, tanto na área política, quanto social e principalmente religiosa.


Os profetas e a questão política. A relação entre os profetas e reis foi sempre tensa. Às vezes, os profetas serviam como conselheiros do rei, tais como: Natã, Gade e Isaías (II Sm 7.2,3; 24.18,19; Is 37.21-35). Por outro lado, o Antigo Testamento também apresenta uma longa lista de profetas censurando pecados dos reis entre eles Elias (I Rs 18.17,18).

Por não ser entendido pelo ímpio rei Acabe, o profeta Elias fora acusado de ser um perturbador (I Rs 18.17), simplesmente porque o profeta como porta-voz divino, colocava-se contra as práticas idolátricas deste monarca. Na verdade, Elias responde ao rei quem realmente era que estava causando perturbação a Israel: “Então disse ele: Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai...” (I Rs 18.18).


Os profetas e a questão social. Quanto a justiça social, o assunto recebe um grande destaque na Lei. Ela legisla sobre a necessidade de ser bondoso com o necessitado (Dt 24.14); estabeleceu que o patrão deve cumprir suas obrigações com os assalariados (Dt 24.15); ordenou a respeitar o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva (Dt 24.17) entre outras coisas (Êx 22.22; Dt 23.24,25; Dt 15.1-18). No entanto, o capítulo 21 de I Reis mostra-nos que Acabe junto com sua esposa Jezabel, planejou de maneira criminosa possuir a vinha de Nabote. Visto que Nabote possuía uma vinha junto ao palácio real, e que mesmo sob a proposta de Acabe de adquiri-la por dinheiro ou troca, não a vendeu (I Rs 21.2). O casal então tramou possuir a vinha de Acabe, acusando-o de blasfemar a Deus e ao rei, por testemunhas falsas, o que o levou a morte como punição (I Rs 21.10-14), e em seguida Acabe apoderou-se da vinha (I Rs 21.14-16). Essa injustiça cometida pelo ímpio casal não ficou impune, pois Deus ordenou que o profeta Elias lhes dirigisse uma árdua mensagem (I Rs 21.17-23).


Os profetas e a questão religiosa. O rei Acabe tomara como esposa a Jezabel, uma mulher pagã (I Rs 16.31). Ao rei faltavam convicções religiosas, pelo que ela estabelecera a adoração típica dos fenícios em larga escala, em território israelita. E Israel ficou repleto de sacerdotes e profetas de Baal (I Rs 18.22). Os profetas de Jeová eram perseguidos e muitos deles morreram por causa disso e outros ocultaram-se em cavernas, a fim de escaparem da morte (I Rs 18.4). As ações de Acabe e sua mulher Jezabel influenciaram o povo de Israel negativamente, de modo que o profeta ora a Deus dizendo: “...deixaram a tua aliança, derrubaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada, e só eu fiquei, e buscam a minha vida para ma tirarem” (I Rs 19.10). Elias, na qualidade de profeta principal da época, tinha a árdua missão de restaurar o altar do Senhor que estava em ruínas (I Rs 18.30).


A MISSÃO DE ELIAS UMA FIGURA DA MISSÃO DA IGREJA


A missão profética da igreja é definida pela palavra grega Kerigma, que é traduzida por “pregação” (Rm 16.25; 1 Co 1.21; 2 Tm 2.17; Tt 1.3), e “proclamação” (Lc 4.18; 1 Ts 2.9 – Bíblia de Estudo Almeida Revista e Atualizada). É a tarefa exercida pela Igreja de Cristo após sua ascensão, que tem como objetivo dar continuidade ao ministério de Cristo Jesus (Mt 28.19-20; Mc 16.15; At 1.3-5) da seguinte forma: proclamando o reino de Deus (Mt 28.19-20; Mt 4.17; Mc 1.15; 16.15); denunciando o pecado e chamando os homens ao arrependimento (At 2.38; 3.19), através da mensagem profética de Deus que foi prefigurada nos profetas do A.T (Hb 11.13; Rm 16.25) que vislumbravam a revelação de uma verdade mais plena (pois segundo Hb 10.1, viviam apenas na Sombra), mas agora, revelada na presente dispensação à Igreja de Jesus (Rm 16.26; 1 Co 2.7; Ef 1.9; 3.3,4,9; 5.32; 6.19).

CONCLUSÃO


Como pudermos ver, Deus prepara maravilhosamente os homens para a obra a que os chama. Os tempos de extrema apostasia durante o reinado de Acabe eram adequados para um homem como Elias, ou seja, ele era apto para esses tempos, pois o Espírito do Senhor sabe equipar pessoas para cada ocasião. Como tem capacitado sua Igreja para a sua principal tarefa: a evangelização.



REFERÊNCIAS

SOARES, Esequias. O Ministério Profético na Bíblia. CPAD.
CHAMPLIN, R.N. Enciclopedia de Bíblia Teologia e Filosofia. HAGNOS.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.