...

17/06/2009

FÉ E OBRAS?

LEITURA BÍBLICA: Gênesis 15:1-6

...Ele creu no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça (Gênesis 15:6).

AS OBRAS POUCO SIGNIFICAM SEM UMA FÉ SUBJACENTE

Se bem que Abrão vinha demonstrando sua fé pelas suas obras, era sua fé em Deus, e não suas obras, que o justificaram perante Deus (Romanos 4:1-5). Deus imputou justiça a Abrão por causa da sua fé. Nós podemos, igualmente, Ter um relacionamento correto com Deus quando a ele confiamos nossa vida. Nossas obras exteriores - freqüência na igreja, oração, boas obras - não nos justificam diante de Deus. Um relacionamento correto se baseia na fé - uma confiança interna profunda que Deus é quem ele diz ser e faz o que diz que fará. Boas obras resultam da fé como subprodutos desta.

LEITURA BÍBLICA: Lucas 3:1-18

VERSÍCULO CHAVE: Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão (Lucas 3:8).


A FÉ NOS LEVA NATURALMENTE ÀS OBRAS

Confissão e vida mudada são inseparáveis. A fé sem obras é morta (Tiago 2:14-26). As palavras mais duras de Jesus foram endereçadas aos líderes religiosos respeitáveis que não desejavam uma mudança radical. Queriam ser conhecidos como líderes religiosos, mas não queriam mudar suas mentes e corações. Suas vidas eram, portanto, improdutivas. O arrependimento tem que estar ligado à ação para ser leal. Seguir Jesus é mais do que pronunciar palavras, é agir baseado nas suas palavras.

LEITURA BÍBLICA: Mateus 5:13-20

VERSÍCULO CHAVE: Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus (Mateus 5:20).


POR TRÁS DA FÉ TEM QUE EXISTIR UMA FÉ GENUÍNA

Os Fariseus eram exigentes e escrupulosos em seus esforços para seguir a lei. Como, então, poderia Jesus esperar, de forma razoável, que nossa justiça fosse maior que a deles? O ponto fraco dos Fariseus era que se contentavam com sinais exteriores de obediência à lei, sem permitir que Deus seus corações e atitudes. O que Jesus estava dizendo é que a natureza da nossa bondade teria que ser maior que a dos Fariseus. Pareciam piedosos, mas estavam distantes do reino de Deus. Deus julga tanto nossos corações quanto nossas obras, pois é nosso coração que define nossa aliança. Você deve se preocupar tanto com suas motivações, que não são vistas, quanto com suas ações, que são vistas.

LEITURA BÍBLICA: Ester 4:1-17

VERSÍCULO CHAVE: ...Porque, se de todo te calares agora, de outra parte se levantará para os judeus socorro e livramento, mas tu e a tua casa perecereis; e quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevada a rainha?

DEUS USA AS AÇÕES DE SEU POVO

Após o édito para matar os judeus, Mordecai e Ester poderiam Ter se desesperado, ou deicido salvar a si mesmos, ou simplesmente esperado pela intervenção de Deus. Eles, ao contrário, entenderam que Deus os havia colocado naquela posição para cumprir um propósito, de forma que aproveitaram o momento, e agiram. Quando estiverem ao nosso alcance salvar outros, devemos fazê-lo. Numa situação que pode ser fatal, não se distancie, não chafurde na autocomiseração, não se comporte de forma egoísta, nem espere que Deus conserte tudo. Ao contrário, peça a orientação de Deus, e aja! Deus talvez tenha o colocado nesta situação pra justamente este fim.

LEITURA BÍBLICA: Tiago 1:19-27

VERSÍCULO CHAVE: Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos (Tiago 1:22).


CRER NA PALAVRA DE DEUS RESULTARÁ EM OBEDECÊ-LA

É importante conhecer a Palavra de Deus, mas é mais importante obedecê-la. Podemos avaliar a eficácia de nosso estudo bíblico pelo efeito que tem em nosso comportamento e atitude.

QUANDO SE REQUER MAIS DO QUE A ORAÇÃO?

LEITURA BÍBLICA: Êxodo 14:15-18

VERSÍCULO CHAVE:...Disse o Senhor a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem (Êxodo 14:15).

NÃO SE DEVE USAR A ORAÇÃO PARA SUBSTITUIR A AÇÃO

Deus disse a Moisés para parar de orar e começar a agir! A oração tem um lugar chave na sua vida, assim como a ação. Às vezes sabemos muito bem o que tem que ser feito, mas continuamos a orar por mais discernimento a fim de postergar a ação. Se sabemos o que deve ser feito, mãos à obra.

LEITURA BÍBLICA: 1 Samuel 7:1-17

VERSÍCULO CHAVE:...Falou Samuel a toda a casa de Israel, dizendo: Se é de todo o coração que voltais ao Senhor, tirai dentre vós os deuses estranhos e os astarotes, e preparai o coração ao Senhor, e servi a ele só, e ele vos livrará das mãos dos filisteus (1 Samuel 7:3).

A OBEDIÊNCIA SOBREPUJA O SENTIMENTO DE AUSÊNCIA DE DEUS

A tristeza assolou Israel durante vinte anos. A arca foi deixada de lado, e parecia que o Senhor havia abandonado o seu povo. Samuel, já adulto, levantou o ânimo do seu povo ao dizer que, se estivessem realmente arrependidos, eles deveriam agir de acordo. Como é fácil reclamar a Deus dos problemas, enquanto nos recusamos a agir, a mudar, a fazer o que ele quer que façamos. É comum você sentir que foi abandonado por Deus? Verifique e veja se ele já não requereu certa ação da sua parte. Você não receberá nova direção até cumprir a anterior...

JUSTIFICAÇÃO

Justificação é a maneira pela qual Deus traz os pecadores para um novo relacionamento com Ele. Esta aliança com Deus se torna possível através do perdão dos pecados.

Desde a Reforma Protestante, quando Martinho Lutero declarou que a justificação vinha somente pela fé (não pelas obras), essa idéia assumiu uma importância especial na história da teologia. A igreja católica medieval enfatizava o papel do comportamento do cristão na obtenção da salvação. Lutero, dando uma nova ênfase às cartas de Paulo, afirmou que todos são pecadores, mas que somente pela fé na obra expiatória de Cristo na cruz temos a salvação. Segundo ele, uma vez que colocamos nossa fé em Cristo, estamos “justificados” diante de Deus, que não nos vê mais como pecadores, embora continuemos a pecar. Para Lutero, o cristão é ao mesmo tempo pecador e santo.

No grego, “justificação” e “justificar” são também termos jurídicos, isto é, referem-se à corte da lei e ao ato de absolver ou acusar alguém por crime. Tem a ver com inocência ou virtude de uma pessoa. Porém, mais amplamente, se refere a qualquer relacionamento.

O CONCEITO DO VELHO TESTAMENTO

No Velho Testamento, justiça se refere a relacionamento e às obrigações desse relacionamento. Em alguns lugares, uma pessoa é considerada justa porque mantém um “justo relacionamento” com outra. Outras vezes alguém é justo porque faz certas coisas que são devidas para o outro com quem se relaciona (Gênesis 38:26). Porém, mais importante, esses termos são usados para descrever Deus, que é justo. Ele reina com justiça (18:25) e seus julgamentos são verdadeiros e justos (Salmo 19:9). Tanto o inocente quanto o culpado conhecem a justiça de Deus. Os inocentes sabem que serão absolvidos e os culpados que serão punidos porque a lei de Deus prevalece.

No Velho Testamento, a justiça de Deus é descrita de tal forma que dá maior ênfase à Sua intervenção em favor do seu povo aliado. Por exemplo, Abraão é considerado “justo” porque responde com fé à aliança oferecida por Deus (Gênesis 15:6). Abraão não podia se autojustificar, mas pela aliança feita Deus o declarou “justo”. Para Deus ninguém se justifica por si próprio (Salmo 143:2). A esperança da humanidade é que Deus se lembrará de sua aliança. A justiça vem do favor ou graça de Deus, que lida com seu povo de acordo com sua bondade amorosa (Isaías 63:7).

NO NOVO TESTAMENTO

Quase toda a discussão sobre justificação no Novo Testamento se encontra nas cartas de Paulo, principalmente Romanos e Gálatas, onde ele procura explicar o que a obra de Cristo significa para a humanidade pecadora. Ele afirma que somos justificados pela fé, não por observar perfeitamente a lei – de fato, Paulo olha essa última idéia como uma mensagem anticristã que requer a maior condenação (Gálatas 1:6-9). A palavra e obra de Cristo deveriam nos lembrar que justificação é um dom de Deus através do sangue de Jesus Cristo (Hebreus 13:20). A lei não é capaz de levar uma pessoa à justiça, nem foi feita para isso. Justificação está separada da lei (Romanos 3:21). Gálatas 3:15-25 nos explica claramente a função da lei, que veio 430 anos depois da aliança de Deus com Abraão. Independente de qual tenha sido o seu propósito, ela não foi dada para nos fazer justos. “Porque se fosse promulgada uma lei que pudesse dar vida, a justiça, na verdade seria procedente de lei” (Gálatas 3:21).

A obra expiatória de Cristo para a justificação das pessoas tem a ver com aliança, não com lei. “Justiça” é, portanto, uma palavra relacional – nós nos tornamos justos pela fé e somos trazidos para um justo relacionamento com Deus. A lei traz julgamento, ela nos confronta com nossa incapacidade de suportar o pecado (Atos 13:39, Romanos 8:3). Através da justificação o crente está livre da condenação (Romanos 8:1). Paulo menciona Abraão em Romanos e Gálatas para mostrar que a aliança tem sido sempre a única esperança da humanidade. Deus mantém sua aliança, embora seu povo a viole todos os dias.

Nos escritos de Paulo, Deus é justo e o único que justifica. O pecado demanda julgamento e está relacionado com ele. O plano de Deus para trazer pessoas para o seu relacionamento é o ministério e morte de Cristo, que foi dado como propiciação para expiar pelos nossos pecados (Romanos 3:21-26). O pecado tem a ver diretamente com a morte Daquele que não tem pecado, que Se tornou pecado por nós de modo a nos permitir compartilhar da justiça de Deus (II Coríntios 5:21).

Para Paulo, então, a justificação vem somente pela graça de Deus. Tornou-se acessível pela obra de Cristo, presente de Deus. Assim, podemos confessar que Cristo morreu “por nós” (Romanos 5:8; I Tessalonicenses 5:10), ou “pelos nossos pecados” (I Coríntios 15:3). Recebemos essa graça somente através da fé (Romanos 3:22; 5:1). O entendimento básico da pessoa justificada é que seu relacionamento com o Deus vivo nada tem a ver com boas obras. É tão somente um presente do amor infinito de Deus.

A justificação vem pela fé. Mas o livro de Tiago nos lembra que a fé sem obras é morta (Tiago 2:17). O Novo Testamento sempre afirma que os verdadeiros seguidores de Cristo são conhecidos pelos seus “frutos”, isto é, o resultado de sua fé. Esta é a razão pela qual católicos, ortodoxos e alguns grupos protestantes consideram a justificação uma idéia perigosa: alguns crentes tendem a acreditar tão fortemente na sua justificação pela fé que se esquecem de seguir os mandamentos de Jesus. Assim, devemos estar alertas para não enfatizar tanto a idéia da justificação pela fé de tal modo que falhemos em atender o chamado de Deus para renovação dos nossos corações. Uma pessoa justificada deve mudar seu comportamento para com os outros e com Deus. Justificação deve sempre ser seguida de santificação.

Nos Evangelhos, a idéia de justificação aparece na parábola do fariseu e do cobrador de impostos que foi ao templo orar. O fariseu chamava atenção para os seus atos piedosos e sua superioridade moral. O cobrador de impostos, humilhado por um profundo senso de seu próprio pecado e indignidade, somente chorava por perdão. Este homem, de acordo com Jesus, voltou para sua casa justificado (Lucas 18:14). Esta parábola deveria lembrar-nos da oposição de Jesus às pessoas que superestimam sua piedade, que pensam de si mesmas como “as melhores” dentre as pecadoras. (7:36-50). Somente o que se humilhar diante de Deus será exaltado (Mateus 18:4; 23:12). Somente o pecador ouve a palavra de graça (Lucas 5:32; 15:7, 10; 19:7). Os que se julgam indignos encontram cura (Mateus 8:8).

É importante lembrar que a justificação vem pela fé, porque o homem tende a se apoiar no seu próprio comportamento para se salvar. Mas o cristão deve lembrar que o justo vive pela fé (Romanos 1:17; Hebreus 10:38; 11:7).